terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O que é Concenso de Washington

No final da década de 80 um grupo de economistas americanos formulou um plano de "desenvolvimento" e de inserção e adaptação ao sistema econômico globalizado para os países em desenvolvimento da América Latina denominado Consenso de washigton.

Dentre as medidas propostas estavam liberalização financeira e comercial, flexibilização do mercado de trabalho, superávit primários (no Brasil esta questão foi veementemente seguida e não surtiu efeito. Porque? Devido as altas taxas de juros, que são particulares do jeito brasileiro de ser, que corroíam qualquer ganho com superávit primários), reafirmação da tendência monetarista, ou seja, a estabilizaçao dos preços a qualquer custo, estado mínimo, manutenção e ênfase na propriedade privada e defesa do direitos privados etc... 

O C.W. não foi feito realmente com o intuito de surtir efeito, para nós , é claro. Para nós, o plano funcionou como uma "lei para inglês vê". 

Criar um plano para um grupo tão multifacetado e com tantas particularidades é o mesmo que criar um único sistema capitalista que seja aplicável a qualquer situação (e já sabemos o que acontece, como o caso de alguns países da África, por exemplo). Assim, sabemos de longe que algo já esta errado desde o início. Quer dizer, errado para nós que estamos do lado fraco da corda. Então, acreditar que um "bando" de medidas mal estruturadas e mal articuladas que não levam em consideração as diferentes formas de organização produtiva conseguiria disseminar o desenvolvimento, bem estar, igualdade é, no meu ver, ingenuidade. Não tão ingenuamente assim se pensarmos pelo lado de quem as criou. O consenso de washigton tem, portanto, seus objetivos próprios e particulares. 

Primeiramente C.W. é um reflexo da tendência monetarista do "main stream" e de pressões de mercado. A década de 80, "a década perdida", foi notadamente o momento de transição da visão keynesiana de "administração" do mercado para a prevalência da visão proposta pelo "main stream". O C.W. , é então, o produto físico deste olhar turvo da realidade. Olhar esse, que teve seus objetivos: a afirmação do neoliberalismo e de seus respectivos dogmas. Cujos deveriam ser fielmente seguidos, caso contrario, retaliação via FMI seriam ativadas, ou melhor, o aumento de vulnerabilidade externa culminaria em crise de pagamentos e restrição ao crescimento. O mercado, ou mais precisamente, o excesso de poupança privada fez pressão sobre os mecanismos de seu respectivo controle de procriação, tornando-os mais permissivos e abrangentes. Ou seja, esse excesso de capital exigia melhores condições de procriação a partir da abertura das contas de capitais (que permitiriam taxas de retorno mais elevadas) e de sua livre circulação com taxações baixas. E conseguiram.

Segundo, "mexer com time que está ganhando" é uma expressão que nos remete a passagem do fim do acordo de Bretton Woods e a adoção de políticas contrárias pelos liberais no período posterior. O resultado desta devoção ao C.W., orientadas por neoliberais, foram 20 anos de estagnação e de retrocesso em diversas áreas. Maior vulnerabilidade externa, maior concentração de renda, menor grau de crescimento e desenvolvimento econômico etc...

Deixar que o mercado resolva todas as alocações ótimas , em minha opinião, é confiar um pouco demais nas capacidades do mercado, não as desmerecendo. É neste ponto que novamente o plano já esta podre desde o princípio. A crise atual nos remete a validade de meu argumento. Será que o mercado realmente aloca e otimiza as oportunidades? Não. Então está aqui mais uma falha na formulação do consenso. O estado tem que estar presente e deve ser a chave mestra do sistema e não o mercado. Quem melhor do que o estado para garantir o bem publico? Sabendo que ele mesmo é produto do coletivo.

Este plano foi feito por "eles" para "eles" mesmos. Seu intuito era apenas fazer valer seus valores utilizando-se de um discurso desenvolvimentista e estabilizador afim de garantir uma submissão dos países ainda não plenamente desenvolvidos da América Latina. Essa parte da argumentação é preenchida com a atenção dada aos direitos de propriedade. Ou seja, o catch up, caso posto em pratica pelos países menos privilegiados teriam que passar pelo custo elevado inicial, devido à patentes. A idéia proposta pelos países desenvolvidos é: subir a escada e depois empurrá-la, impedido que outros também consigam subir. 

Por que não deu certo no Brasil? Não só não deu certo no Brasil como não deu em lugar nenhum. Não deu certo porque a base das transformações estava deturpada e vendida à visão do "main stream", e novamente porque não foi feito para que realmente funcionasse. A prevalência do pensamento não heterodoxo nos pensadores influentes, tornaram impossíveis qualquer alternativa real, sólida, e eficaz de atuação e de garantia do bem público para a América Latina. Vale lembrar também que os países dos quais hoje desenvolvidos são, passaram pelo estágio subdesenvolvido, e especulo, que o plano de desenvolvimento nacional não foi pensado e escrito por pensadores, economistas de origem externa. Isso nos mostra, então, que prestar ajuda à América Latina, ajuda essa que mascarou seus reais sentidos é algo que não tem real eficácia e que pode ser desprezada se a intenção é modernizar,desenvolver e fazer a roda gira "redondamente". Na minha opinião se queremos atingir patamares de desenvolvimento sócio-econômico-cultural mais elevados, tenho certeza que eles não virão de fora, mas sim de nossos próprios centros acadêmicos e de nossos profissionais qualificados. Quem melhor que nós mesmos, que sabemos de nossas particularidades e dificuldades para fazer a "coisa" funcionar direito?

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