Nesta primeira postagem estarei colocando algumas discussões já apresentadas. Posteriormente, espero que o estímulo inicial dado seja suficiente para motivar as publicações posteriores, na forma de postagens autônomas.
Aqui começam as conversas:
Dando minha contribuição de militante de movimento social e marxista,
É em momentos de uma crise como esta que se faz a história, ou seja, que as coisas mudam.
É a chamada dialética. O velho contem o novo, que é uma contradição do velho. A contradição vai se acirrando até um momento em que a situação torna-se insustentável e o novo substitui o velho, mas o novo também contém o velho e contém suas próprias contradições, que um dia o superarão.
Qual o Gel diz que o sistema sempre teve crises, elas foram superadas e o sistema capitalista se fortaleceu, ele tem razão. Mas eu discordo da constatação dele de que assim foi e assim sempre será. É uma coisa que acontece muito comumente hoje com pessoas que seguem a risca o que o sistema lhes impõe achar que estamos num momento de fim da história. Seria o capitalismo realmente o ápice da organização da sociedade? Será que não há maneira de superar a contradição entre os donos da força de trabalho e os donos dos meios de produção?
Concordo com todos os elementos que o Thomas coloca. O cara tá estudando economia e tá mandando muito bem. Só não sei se entendi bem o final de seu primeiro e-mail... A mudança só pode ocorrer através do Estado. Vc se refere ao estado como está constituído hoje ou ao Poder?
O estado como se organiza hoje serve apenas para perpetuar o poder das elites sobre a classe trabalhadora. O estado burguês, como chamamos, promove políticas sociais paliativas que não provocam verdadeira mudança no estado das coisas. Dão bolsa-família, assim todo mundo acha o governo bonzinho e não protesta contra o verdadeiro problema: as grandes empresas e bancos que mandam e desmandam nesse país, transformando o trabalhador em mercadoria, sujeita ao mercado de trabalho, onde um imenso Exército de Mão-de-obra reserva contribui para manter a situação do trabalhador precária, sua renda baixíssima e a exploração de sua mais-valia em taxas exorbitantes, afinal se um trabalhador reclama de suas condições o patrão tem toda a razão em falar "tu não quer?tem quem queira!" é a Lei da oferta e da procura. E a situação não melhora. Essa massa de desempregados vai pra periferia, recebendo o seu bolsa-família e já não vê mais barbaridade no fato de seus companheiros estarem matando-se uns aos outros.
Socialismo ou barbárie?
Você acha que essa situação se sustenta por mais tempo? Então pensa na exploração da natureza. Pensa que não existe mais água potável pra todas as pessoas do mundo... E você ainda acha que a culpa é tua porque caga no rio e nem pensa na Aracruz, ou na Vale do Rio Doce, ou nas Barragens, que é o que realmente está acabando com a nossa riqueza, porque a Globo te faz pensar que a culpa dos problemas do mundo é o tamanho da população... E aí será que é só fazermos a nossa parte? Não!
Precisamos agir e defender a nossa soberania, o nosso direito a ser feliz e completo. Porque um homem nunca será completo e livre se for explorado por outro. Não pense que trabalhando pra uma empresa e ganhando um belo salário, trocando de carro todo ano e vivendo numa casa luxuosa você não é explorado. Lembre-se que você é povo brasileiro, explorado desde 1500, lembre-se que, ainda que você ocupe um lugar de destaque na empresa existe o dono da empresa, que não faz um trabalho produtivo e ainda assim ganha mais que você, por mais que você trabalhe muito mais que ele, logo ele tá te explorando. Se você é um empreendedor que acredita no Pequenas Empresas Grandes Negócios, lembre-se que o sistema mais cedo ou mais tarde te engolirá, ou comprando a sua empresa, explorando todo o trabalho que você teve para colocá-la em pé, ou te falindo (que é o mais freqüente).
Portanto essa crise serve pra alguma coisa sim!
Para lutarmos com ainda mais força por um mundo justo, igual, comum! A economia nos respalda e mostra que o sistema tem rachaduras e falhas, o nosso papel é descobrir como colocar a bomba exatamente dentro da falha. Eu tenho um palpite: Organizando o povo, a massa trabalhadora explorada e humilhada, para que tome o poder... Não só o Estado (Olha o Lula lá e olha o que ele vem fazendo...), mas as ruas, as fábricas, as plantações, os meios de produção!
Essas palavras vem de uma colega de vocês que por uma imenso amor às pessoas e à natureza luta pelo fim da sua exploração, custe o que custar!
Lívia M.Y.
Quando afirmei que a saída viria do estado, imaginei o estado como um instituição que representa, teoricamente a população como um todo, não levando em consideração a questão política(que na verdade é um travão para que o homem economicus funcione plenamente, apesar de ser também a única forma pela qual as coisas podem acontecer). Falei também, porque o estado é o único, no meio da corrida por lucros mais altos, o único que não funciona seguindo essa lógica. Ao afirmar que o estado é o agente mais modificador e que dele sairão as mudanças, lembro-me que seus gastos correspondem a um total de quase 50% da riqueza gerada em nosso país. Logo, não estamos falando de um grupo social trilhardario e sim de 50% da produção nacional. Por estar especializando-me na área econômica não me atenho muito aos problemas de comunicação entre economia e política, restrinjo-me a pensar que se conseguirmos fazer prevalecer os interesses econômicos, e seus objetivos finais, conseguiremos mudança. Quando falamos de Lula e de sua passividade diante de políticas econômicas eficazes, lembro-me que apesar do poder executivo ser o órgão "executor" o mesmo está totalmente submisso ao interesse de Wall Street. Ou seja, o banco central é apenas uma filial do Bank Boston no Brasil. Onde seu respectivo presidente, Meirelles, foi realocado para aqui trabalhar. Essa é, portanto, uma outra discussão que poderíamos nos estender.
Não sei porque , mas me parece que alguma coisa esta errada e pode dar zebra. Saber que o mundo inteiro está receoso da crise e adotando políticas anti-ciclicas,diminuindo taxas de juros, aumentando gastos, e notar que o governo brasileiro sente-se blindado contra qualquer pressão externa é de dar medo não? Todos os países já adotaram, e maior ou menor medida, políticas para minimizar os impactos da crise. A china lançou um pacote de 180 bilhões de dólares (mais de duas vezes as reservas internacionais brasileiras, das quais afirmam ser uma de nossas blindagens) para o estimulo ao consumo. A Argentina hoje possui taxas de juros negativas. E o Brasil? Estamos blindados...
Thomas W.G.
Antes de tudo, desejo exprimir minha satisfação em participar de uma proposta que busca a discussão de temas pertinentes, antes de tudo, ao bem-estar do homem, através de um meio informativo que se mostra um tanto quanto tendencioso, cuja informação irrestrita corrompe não só a identidade cultural do homem como sua mente e consequentemente seu espírito.
Quando me refiro à bem-estar, discurso acerca do sentimento que nasce do equilíbrio entre a razão e a espiritualidade humana. O homem médio se encontra aprisionado nos campos antagônicos da razão: bem e mal - certo e errado - etc. Assim, suas atitudes se refletem apenas racionalmente. Afirmo, entretanto, que somente haverá real progresso quando referenciarmos nossos atos não só entre o bem e o mal, mas sim entre a razão e o espírito. Assim, flutuaremos entre mundos distintos e nossas atitudes estarão embasadas em mais de uma realidade.
Estamos diante de uma crise mundial que não somente afeta o campo econômico como a todas as linhas de pensamento tanto acadêmico quanto filosófico. Creio que a resolução dos problemas inerentes à coletividade humana está encerrada no interior do individuo.
Devemos atribuir não somente artimanhas racionais, mas também artimanhas que brotam do icognicível, do inimaginável, do espírito. Esse é o grande mistério, cujo sentido passa despercebido ao homem, consequentemente ao sistema capitalista de produção e ao poder público.
Meu intuito, senhoras e senhores, é apenas relembrar-vos da magia que vem sido esquecida pelo homem, cujos retalhos alimentam tanto preocupações sociais como a desigualdade social, a subversão e o escravismo como preocupações econômicas como a demissão em massa e a dominâncias de países de primeiro mundo sobre países de terceiro mundo.
Diante de todas as preocupações a pior: a preguiça do homem em buscar a si mesmo.
Yuri R.
Minha opinião quanto a esse tema tão interessante é a seguinte: no momento atual que estamos vivenciando uma crise econômica mundial em que tem como tema principal a economia mundial que é norteada pelos países de primeiro mundo, assim chamados, pois influenciam todos os demais países.
Sabemos que a crise financeira causa uma grande ingerência nos países do mundo, sobretudo os emergentes, e daí por diante afetando comunidades por completo, isso até chegar a cada lar do Brasil.
Mas em toda historia da humanidade sempre houve crises e que com o decorrer do tempo todos se adaptaram a situação, e enfim o problema foi solucionado. O que nos chama a reflexão é que apesar da crise novas oportunidades surgem todos os dias, e isso para quem consegue vê no meio do turbilhão de dificuldades que desencadeia uma crise mundial.
Mas a crise também tem seu lado positivo, embora à maioria não enxergue, mas há, e é uma realidade para todos que querem tomar conhecimento.
É justamente numa crise que empresas se fundem surgindo novas empresas com maior poder de mercado, e para surpresa nossa com maior possibilidade de possuir sua fatia de mercado ainda maior.
Para podermos despertar numa crise para as oportunidades são necessários alguns critérios que são exigidos de nós, são eles, por exemplo, procurar descobrir a oportunidade de mercado, o que realmente está acontecendo e se está nos atingindo mesmo, e fazer a poupança forçada.
Mas muitas pessoas só vêem o problema e logo se fecham para encontrar as saídas que existem, e isso cria uma dificuldade para descoberta da oportunidade.
Quando passamos por um momento difícil financeiramente a primeira coisa que pensamos é no que devia ter feito antes de tudo, e que não foi feito; mas não refletimos sobre o que se aprendeu naquele momento de dificuldade.
Mas precisamos assumir uma postura mais madura, e procurar buscar no meio das dificuldades a solução, pois ela existe e na maioria das vezes está próximo de nós e não vemos.
É necessário também uma verdadeira leitura e pesquisa buscando as informações necessárias para superar o momento, porque enquanto uns ficam preocupados e se lamentando outros estão à procura de algo para sair da situação; lembro aqui o livro quem mexeu no meu queijo onde há um ratinho que fica parado e o outro sai em busca de uma saída do labirinto a procura de outro queijo, ou seja, de outra expectativa de sobrevivência, assim é a nossa vida, e precisamos ter uma postura semelhante.
A crise financeira sempre gerou uma oportunidade de mercado, como também uma oportunidade pessoal, e as pessoas ficam tão compenetradas no problema que a mente não sai de um foco negativo para outro positivo.
Entretanto se buscarmos um aperfeiçoamento será então diferente o que ocorrerá conosco, por isso o que chamamos de crise se tornará em oportunidade.
Mas para termos uma postura diferente é necessário uma procura, que deve partir de cada um individualmente e, sobretudo com objetividade a ser alcançado, pois sem ter uma direção será ineficaz o resultado que queremos obter.
Então partindo de um ponto em que a pessoa inicia uma busca de algo diferente, que os outros não têm, isso gerará uma oportunidade para o mercado descobrir o que se está mostrando.
Nós só iremos descobrir a oportunidade de mercado se estivermos atento à busca de novos nichos de mercados onde possamos encontrar uma oportunidade de negócios.
Mas e como faze-lo, é necessário está verificando no meio em que atuamos o que há de melhor, o que está acontecendo, e então você se inseri neste meio.
Se faz necessário a leitura e a participação de congressos e encontros, onde temos novas oportunidades de conhecer coisas e pessoas que irão influenciar em alguma decisão importante, porque o relacionamento pessoal ajudará muito nas oportunidades de novos negócios. Haverá sempre um gasto para estas participações, mas é preciso, pois haverá o retorno depois, e para se ter novas oportunidades, é necessário investimento, mas que logrará êxito futuro.
Muitas vezes é através da leitura de um livro ou a participação em um congresso que achamos à oportunidade, ou até alguém dá o lampejo necessário para descoberta de algo novo, que tanto se procurava para fazer parte daquela grande oportunidade de novo negócio, ou nova descoberta.
Lembro que em um congresso certa vez eu estava em busca de algo para inovar a minha profissão, e foi conversando com um colega de outro estado que ele sem perceber me deu uma idéia, e logo fui por em prática, e deu certo. É dessa forma que as coisas acontecem, mas se formos mais ativos, e procurar mesmo, é numa conversa que se descobre algo que se queria realizar.
Logo, procure se inovar seja a onde for, seja num congresso ou numa nova amizade ou no relacionamento por telefone, mas o ideal é se for pessoalmente, pois o lampejo será ainda melhor na descoberta.
Deve-se procurar saber o que está realmente acontecendo em sua volta, o que está havendo no mercado onde você está inserido, e então saber se o que está ocorrendo merece sua atenção e preocupação.
Se há problema de ordem financeiro no mercado se é necessário conter as despesas e enxugar outras, e ficar de olho no investimento com todo cuidado. Só assim conhecendo o que está acontecendo é que deve tomar a iniciativa que é preciso.
É através do conhecimento do que está acontecendo no meio em que atuamos que passamos a conhecer o que está ocorrendo e as conseqüências destes acontecimentos.
Procurar entender de que forma isso irá nos atingir, onde vai afetar e qual a profundidade dessa dificuldade e, sobretudo qual o tempo que irá durar isso que está ocorrendo; é somente depois de tudo isso, com estas informações que iremos refletir no que fazer e como agir.
Procurar pensar em como investir, ou de que forma se deve investir ou esperar passar a turbulência momentânea, e então tomar a iniciativa de poupar, mas em todo tempo poupar sempre foi necessário, porque são sabemos quando iremos precisar usar recursos que foram poupados anos antes de tais dificuldades.
Logo, o que temos como certeza que no tempo de crise as pessoas observadoras sempre descobriram algo novo, uma nova oportunidade ou uma nova fatia de mercado, e como conseqüência virá o retorno financeiro inesperado.
Às vezes até a pessoa que deseja uma oportunidade nova e diferente descobre no período de crise a oportunidade que estava à procura.
Portanto, não pare de se movimentar em tempo de crise, use todos os meios necessários para descobrir o novo ou a nova oportunidade; mas isso só virá se você for atento aos acontecimentos, faça acontecer e não espere acontecer, e "nada muda se eu não mudar" dito por Leyla Navarro em um congresso em Cachoeira de Itapemirim no estado do Espírito Santo.
É em tempo de crise que descobrimos coisas novas, isto é, se formos em busca de novas oportunidades, pois estão perto de nós ou entre os amigos de profissão, ou numa leitura de um livro, pois em muito contribui para nosso crescimento pessoal e profissional.
No meio de uma crise financeira a nossa mente fica obrigada a pensar rápido em uma solução, e então passamos dia e noite em busca de resolver a questão financeira; mas se procurarmos mudar o foco ou a direção do que queremos, e se focarmos em buscar uma nova oportunidade, então as coisas acontecerão de forma diferente e a solução será encontrada.
É correto fazer uma poupança para o tempo de crise financeira, mas na verdade muitos não fazem, ou se fazem é muito pouco para suprir esta necessidade que surgi de repente; porém no momento da crise será necessário um investimento na busca da oportunidade, mas deve ser planejado e bem pensado, pois neste momento não deve acontecer mais nenhum erro de ordem financeira.
É necessário ficar atento ao mercado e ao que está ocorrendo e verificar com detalhes o que está havendo e se vai nos afetar e em que proporção isso nos atingirá.
A crise financeira é algo muito favorável para as pessoas, elas é que não pensam, pois ficam acomodadas boa parte da vida quando tudo está bem, mas quando surgi uma crise se apavoram e ficam sem saber o que fazer, mas se você por em disciplina sua vida e pensar melhor verá que uma crise só traz coisas boas para sua vida.
Às vezes não despertamos para algo na vida e que no momento da crise começamos a vê e a descobrir algo novo; tudo porque a mente acomodada não pensa, mas quando somos forçados a pensar se inicia um processo novo de descobertas novas e eficazes, e, sobretudo que traz crescimento profissional e pessoal.
Portanto vá em busca de coisas novas em todo tempo, porque no tempo da crise você terá sempre uma saída para situação financeira, e não ficará sem expectativa de alcançar o sucesso profissional que deseja.
É através de investimento profissional que temos acesso a novas oportunidade de mercado, por exemplo, um curso de pós-graduação que abre novas fronteiras e amplia a visão de novos negócios.
Participe de encontros e congressos, pois é no meio em que atuamos que surgi o lampejo tão esperado para alavancar a profissão para uma situação melhor e desejável.
A melhor poupança que o profissional faz é em investir na educação e no conhecimento, pois abre novas fronteiras e oportunidades, esta é a busca que funciona de maneira eficiente na vida profissional.
Devemos prezar pela ética profissional, pelos bons princípios e costumes, zelando pelo respeito ao próximo seja quem for, porque é importante para o profissional se colocar no mercado de forma sábia e prudente.
É somando conhecimento e boa conduta, e principalmente buscando no meio em que estamos insertos a possível solução para superar a crise.
Também é necessário está atento ao mercado e o que está acontecendo e refletir o que ocorre e se irá trazer alguma dificuldade para você profissionalmente.
Após toda uma análise e reflexão pessoal você terá que tomar uma decisão e isso depende de você mesmo, ninguém vai tomar decisão por você; mas tenha toda segurança necessária para tomar uma decisão, entretanto se errar procure outra saída, mas seja rápido, não fique lamentando o que não conseguiu obter êxito; parta em busca de outra oportunidade lembre-se do ratinho está na história do livro quem mexeu no meu queijo, preconizo a leitura para você.
Outra coisa, não fique pensando negativamente que errou, pois como disse Leyla Navarro num congresso em Cachoeira de Itapemirim, estado do Espírito Santo, que "acertar é humano", pois houve um aprendizado para você, e da próxima vez com certeza irá acertar.
E por fim nós estamos sempre aprendendo algo novo e ficando mais experiente, mas ressalto com bastante ênfase que em tempo de crise aprendemos muito mais; do que quando tudo está muito bem, por que quando há comodismo não temos crescimento, e a crise enaltece aquele que quer algo novo, e uma nova oportunidade.
Haverá em todo tempo uma nova oportunidade, mas só descobrimos quando o mundo passa por uma crise financeira ou as pessoas estão vivendo um momento difícil financeiramente.
Portanto a crise financeira tem mais seu lado positivo do que negativo, porque traz sempre uma novidade para as pessoas. Busque sua fatia de mercado e achará.
A crise financeira não é uma dificuldade, mas uma oportunidade para aprendermos mais e melhor, e encontrar as soluções dos problemas financeiros.
Andreas H.G.
O meu receio não é muito a questão de que todos os dias surgem oportunidades, mas sim, ate quando elas serão suficientes para segurar o estado das coisas (não que o estado atual seja tão pouco ideal). Se, por exemplo, rememorando a crise de credito americana atual, os estados não metessem a mão na massa para conter a quebradeira do sistema financeiro, o que aconteceria? Não haveria instituição privada que conseguisse segurar a peteca. Portanto, acreditar que o mercado naturalmente iria conseguir manter um fluxo de emprego é acreditar um pouco demais na “perfectibilidade” do mercado, não acha?
Nesses dois pontos, eu novamente discordo, apesar de saber que crises causam mudança, positivas também. E que quando estamos no fundo do poço sempre, não sei bem, conseguimos aguçar nossa capacidade inventiva e nos transformamos se adequando as novas situações (esta alegação é muito leviana, pois desconsidera a pluralidade dos seres e as diferentes circunstâncias). Apesar disso, não consigo acreditar que a única forma de equalizar os descompassos do mercado sejam as crises. Até porque as mesmas são tão intensas e seus reflexos na vida real tão catastróficos que prefiro idealizar um sistema que se auto regule e que no longo prazo, o mesmo tenda ao equilíbrio. O segundo ponto, é que a centralização das empresas, no meu ver não é algo tão positivo. Falo isso porque vejo a concentração industrial como sinônima de concentração de renda e de afastamento das relações humanas. Numa grande instituição (onde a lógica do lucro individual capitalista reina), como as grandes lojas de departamento existem apenas o capitalista de um lado e o exercito de mão de obra do outro. É apenas uma relação de troca, capital x trabalho. Romanticamente, prefiro novamente idealizar a desconcentração. Prefiro ter como opção comprar parafuso com o português, baiano, pernambucano, norueguês... do que simplesmente entrar numa loja de departamento e pedir para um ferrado explorado(que troca sua vida e sua capacidade inovadora por trocados para sobrevivência) a porcaria do parafuso. Não saberia dizer se a aglomeração das empresas é tão somente uma maximização dos lucros dos capitalistas, mas tenho fortes suspeitas.
Instigando a discussão, essa passagem, da crise se tornar oportunidade, segundo sua argumentação se daria naturalmente pelo mercado? Se sim, será que o mercado realmente conseguiria suprir todas as demandas num momento de crise?
O individualismo, e sua crescente massificação e expansão, não se apresentam como embarreirador de outras possibilidades?
Qual o tempo que a crise pode durar? Pergunta pertinente. Maria da Conceição Tavares, a economista heterodoxa mais importante do Brasil, e professora emérita aposentada do UFRJ, em uma de suas palestras sobre a crise disse as seguintes frases : “ Nasci na crise e acho que morrerei nela”, “O problema da crise agora é saber o tamanho da perna do L”. Será mesmo que somos capazes de analisar as condições presentes, futuras, passadas do mercado para assim nos encaixarmos nele? Não sei, não sei porque, mas me sinto debilitado para conseguir deduzir conscientemente essa incógnita.
Outra solução para esse problema da insegurança sobre o futuro seria um estado gastador, como vulgarmente utilizado. Dar dinheiro para os que precisam em momentos de dificuldade não é crime, e é tão pouco gasto, mas sim investimento. Dar dinheiro para os velhinhos é bom. Dar dinheiro para aqueles que em momentos de crise econômica precisam é bom...
Eu diria: pare de pensar somente em realização pessoal e familiar( proteger somente a família e seus agregados) e aproveite a crise e passe a disseminar a coletividade o associativismo. Esse sim no longo prazo, trará bons frutos.
Estudo economia, mas acho que o foque a ser dado em crises é senão a ajuda inter -humana e não só tão pouco a questão econômica. Em momentos de dificuldade ajudar constrói. Se ajudado também. A solução a ser encontrada tem de ser para o coletivo. O que somos nós sem o coletivo? No atual estágio de desenvolvimento da sociedade, achar que sozinho se vive é negar os fatos reais. A interdependência entre os seres é tão grande e tão esquecida que os ricos ao não quererem ajudar a pagar a conta acabam se esquecendo que se não ajudarem, os mesmos, não terão o home theater de 2550 polegadas, produzido pelo explorado na china, não terão o “pão de cada dia” feito pelo padeiro etc...
A poupança só é algo a ser alcançado e colocado num pedestal, como solução dos problemas futuros, se o sistema econômico não conseguir segundo a sua natureza garantir uma estabilidade econômica intrínseca. Essa estratégia é, portanto, justificada pelas incertezas que o capitalismo nos nutre a cada dia. Mas, não tão romanticamente, o estado não poderia ser capaz de adotar políticas desenvolvimentistas de pleno emprego e ainda de segurar e controlar as expectativa sobre o futuro? A resposta é sim. E isso ocorreu no período da era de ouro do capitalismo, do final da década de 40 até 73. Mas a crescente flexibilização e desregulamentação que o mercado exigiu, fez toda essa garantia de estabilidade minguar.
Se “acomodar” e ter perspectivas seguras sobre o futuro , pra mim é algo que almejo e desejo. Até porque, mudanças estruturais na sociedade só ocorrem no longo prazo, e que para terem eficácia precisam de certezas sobre o futuro. E as incertezas geradas pela possibilidade de colapso agudo do sistema nem sempre são saudáveis para o presente. Como dizem muitos economistas, o futuro é uma projeção do presente. Se hoje as pessoas, no agregado, começam a achar que haverá uma inflação de 10% devido a N fatores, no período posterior realmente haverá inflação. As expectativas são, portanto, extremamente importantes para a viabilização do futuro. Saber que a sua especialização será útil para a sociedade e que haverá mercado para mesma, é não um estimulo a ócio e sim à superação e a vontade de chegar mais longe ainda.
O melhor investimento que o profissional pode fazer é pensar e discutir.
A crise é negativa apesar, novamente, de trazer mudança. Há um custo social muito alto a ser pago para superação dela.
Para fechar, crise é resultado de algo que não esta funcionando corretamente, certo? Então se é algo que ocorre periodicamente e que todos já se habituaram e sabem seus respectivos custos, é o mesmo que saber o custo social de uma guerra, e mesmo assim, guerrear. É se ferrar querendo! Logo, a pergunta é: é saudável para a humanidade saber que haverão ciclos e aceitar sua inexorabilidade? Sabendo que para qualquer viabilidade de mudança e melhoria parte tão somente de nós?
Thomas W.G.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
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Um comentário:
Pai Thomás, se você não for nas configurações do blog e permitir que postemos, nem que para isso tenha que nos colocar como membros do blog, fica difícil. Teremos que discutir por email e vc colocar aqui, muito trabalho... Ah, vi que mudou o fundo, mas poderia ter colocad uma cor mais clara. O branco realçava muito as outras cores e o texto nos ofuscava, agora está difícil enxergar o texto. =)
David Taveira
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